Nesse momento de agitaçãoNesse momento da ausência de valores éticos e da loucura direcionada pelo sexo arbitrário e promiscuo,pela droga aditiva, pela drogas alucinógenas e pelo álcool devorador.
Nessa hora de violência que, ao invés de fazermos coro com aquelas vozes exaltadas que reclamam,tenhamos coragem de dizer: “Deus meu, Deus meu quero agradecer-te a dádiva da vida
Quero dizer-te que a amo, porque para mim ela é bela e é concentida;
Muito obrigado, Senhor, pelo que me destes, pelo que me dás;
Muito obrigado pelo ar, pelo pão, pela paz;
Muito obrigado pela beleza que os meus olhos vêem no altar da natureza;
Olhos que fitam o céu, a terra e o mar;
Que acompanham a ave ligeira, que corre fagueira pelo céu de anil;
E se detém na terra verde salpicada de flores em tonalidades mil;
Muito obrigado Senhor porque eu posso ver meu amor;
E diante da minha visão eu detecto os cegos;
Que se atropelam na mutidão, que andam na solidão, que caem na escuridão;
Por eles eu oro e a Ti eu imploro comiseração;
Porque eu sei que depois dessa vida, na outra lida eles também enchergarão.
Muito obrigado pelos ouvidos meus que me foram dados por Ti;
Ouvidos que ouvem o tamborilar da chuva no telheiro;
A melodia do vento nos ramos de salgueiro;
As lágrimas que vertêm os olhos do mundo inteiro e;
A voz melodiosa, canóra, melancólica do boiadeiro;
Ouvidos que ouvem a música do povo, que desce do morro, na praça a cantar;
A melodia dos imortais que a gente ouve uma vez e não esquece nunca mais;
A vóz atormentada do povo e a dor que toma conta do mundo novo;
Mas diante da minha audição eu detecto os surdos, que não podem ouvir;
Por eles eu oro e a Ti eu imploro comiseração;
Porque eu sei que depois dessa vida, na outra lida, eles também escutarão;
Muito obrigado pelas minhas mãos;
Mas também pelas mãos que aram, pelas mãos que semeiam, pelas mãos que agasalham;
Mãos dos adeuses, mãos de ternura; mãos que libertam da amargura;
Mãos que estreitam mãos; mãos de poesias, de sinfonias, de cirurgias, de psicografias;
Pelas mãos da caridade e da solidariedade;
Mãos que limpam feridas, que enchugam lágrimas e suores das vidas;
Pelas mãos que atendem a velhice, a dor, o desamor;
Pelas mãos que nos seios embalam o corpo de um filho alheio sem receio;
E pelos pés que me levam a andar sem reclamar;
Muito obrigado, Senhor, porque eu posso caminhar;
Mas diante do meu corpo perfeito eu Te que louvar,
porque eu vejo na Terra aleijados e felizes amputados, paralisados, desesperados; e eu posso andar;
Oro por eles e sei que depois dessa expiação, na outra reencarnação eles também bailarão
Muito obrigado, por fim, pelo meu lar;
É tão maravilhoso Ter um lar;
Não é importante se esse lar é uma mansão ou uma tapéra;
Se é um ninho ou uma casa no caminho;
Um gramado de dor ou um bangalô, seja lá o que for;
Mas é importante que dentro dele exista a figura do amor;
Amor de mãe ou de pai;
De esposa ou de marido;
De filho ou de irmão;
A presença de um amigo, alguém que nos estenda a mão;
Pelo menos a companhia de um cão, porque é terrivel viver na solidão;
Mas se eu, a ninguém tiver para me amar, nem um teto para me agasalhar,
Nem uma cama para me deitar, nem aí eu reclamarei, nem me rebelarei, pelo contrário eu te direi:
Obrigado Senhor porque eu tenho a Ti,
Muito obrigado porque eu creio em Ti,
Pelo Teu amor, obrigado Senhor, pela sua atenção;
Muito obrigado Senhor.
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